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Após ajustar modelo de negócios no Brasil, El Tejar foca eficiência

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Turbán: “Queríamos estar entre os maiores produtores de grãos do mundo. Agora, queremos ser um dos mais eficientes”

O grupo El Tejar, de origem argentina, está finalizando um processo de reestruturação que já provocou uma guinada em sua estratégia para o Brasil. Presente no país desde 2003, quando começou a replicar um modelo de negócios baseado em arrendamentos que já havia implantado em outras fronteiras sul­americanas, a empresa mudou o foco a partir de 2012, reduziu em quase três vezes a área plantada que controlava e passou a focar na eficiência das operações.

“Antes, queríamos estar entre os maiores produtores de grãos do mundo. Agora, queremos ser um dos mais eficientes”, afirmou ao Valor o uruguaio Ismael Turbán, presidente da El Tejar no Brasil, que prevê encerrar a atual temporada 2014/15 com um faturamento de US$ 130 milhões no país.

Com uma agressiva estratégia de terceirização que avançava da produção à armazenagem, inicialmente a El Tejar concentrou suas operações em Mato Grosso e começou a crescer: em pouco menos de uma década, passou de cerca de 5 mil hectares e chegou, em 2010, a 260 mil ­ 60 mil próprios e 200 mil entre arrendamentos e parcerias. À época, chegou a ser considerado um dos maiores grupos de cultivo de soja do país, deixando para trás grandes produtores nacionais.

Uma onda de aquisições iniciada em 2007 fortaleceu o avanço da companhia, mas os planos de expansão foram interrompidos pelas restrições à compra de terras por estrangeiros, impostas pelo governo federal em 2010. “Como não podíamos crescer em área, e considerando a queda dos preços das commodities e a alta dos custos, decidimos dar prioridade à eficiência e à rentabilidade, buscando melhorar o resultado por hectare produzido em terras próprias e em parceria e saindo das áreas arrendadas”, detalhou Turbán.

O rearranjo resultou em um enxugamento da área de plantio no país, que hoje se estende por 87 mil hectares, sendo 54 mil próprios e 33 mil arrendados. Ao todo, a El Tejar tem sete unidades produtivas, distribuídas entre Primavera do Leste, onde está a matriz, e outros municípios mato­grossenses como Rondonópolis, Nova Mutum e Diamantino.

Todo o plantio e a estocagem da produção, além da colheita de algodão, passam agora pelas mãos da companhia, que vem investindo pesadamente em infraestrutura e maquinários. “Nos últimos três anos, investimos US$ 22,5 milhões em máquinas e perto de US$ 17,9 milhões em armazéns [são oito, no total], além das melhorias em nossa beneficiadora de algodão, no solo e na estrutura das fazendas”, contou Turbán. Parte da produção também já é comercializada sem a intermediação de tradings.

Além da operação brasileira, a El Tejar mantém 30 mil hectares próprios na Bolívia, que deverão render à empresa uma receita de US$ 26 milhões e elevar o faturamento anual do grupo a US$ 156 milhões.

Apesar de fundada na Argentina, a El Tejar não produz nada naquele país desde 2013. Liderada por dois fundos internacionais, o americano Capital International e o britânico Altima Partners, a companhia preferiu se desfazer de seus ativos na Argentina (onde plantava em torno de 60 mil hectares no último ano de atividade) devido à instabilidade política no país. A companhia também vendeu no ano passado a operação que mantinha no Uruguai.

Turbán, que presidia a El Tejar no Uruguai, chegou ao Brasil em agosto de 2013. Hoje com uma equipe de 600 funcionários fixos, ele responde pelo plantio dos 80 mil hectares de soja que a companhia mantêm na primeira safra, além de 7 mil hectares de algodão (divididos entre primeira e segunda safras) e quase 40 mil hectares de milho safrinha.

“A colheita do milho safrinha ]deste ciclo 2014/15] já começou e esperamos uma produtividade de 110 sacas por hectare”, disse. O volume é 6,4% superior à média estadual, prevista pelo Instituto Mato­grossense de Economia Agropecuária (Imea) em 103,4 sacas. Para a safra 2015/16, que começará a ser semeada em setembro, a ideia é manter a área plantada. “Nosso foco é crescer verticalmente, criando mais valor onde já produzimos e investindo em adubação e tecnologia”.

Os planos passam também por aportes na integração lavoura­pecuária e em projetos de irrigação ­ ainda em Mato Grosso. “Infelizmente, estamos limitados. Enquanto não ficar clara a situação [da compra de terras por estrangeiros no Brasil], não dá para pensar em muita coisa”, disse Turban, que participou, na semana passada, de evento promovido pela Bayer CropScience que reuniu dezenas de grandes produtores brasileiros em Washington.

A jornalista viajou a convite da Bayer

Fonte: Valor Econômico