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El Tejar faz capitalização para reduzir suas dívidas

15/03/2016 05:00

Por Mariana Caetano – Valor Econômico

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Preocupada em reforçar sua estrutura financeira e diminuir a dependência do capital de terceiros, a El Tejar, importante produtora de grãos e fibras do país, está concluindo um processo de capitalização de sua holding, que envolveu um aporte de US$ 143 milhões. A medida, somada à venda das operações na Argentina e no Uruguai nos últimos três anos, deve reduzir o endividamento da companhia do patamar de US$ 704 milhões, em 2013, para US$ 261 milhões.

Segundo Ismael Turbán, presidente da El Tejar no Brasil, a capitalização envolve a subsidiária brasileira do grupo, que receberá US$ 67 milhões. “O investidor acreditar em nós neste momento de retração no Brasil, e melhorar nossa estrutura de capital para que possamos seguir com o aprimoramento de nossas operações, é um sinal muito bom”, afirma o executivo.

Turbán: Receita da empresa deve ser menor nesta safra, mas correção de custos permite manter margem interessante

Turbán: Receita da empresa deve ser menor nesta safra, mas correção de custos permite manter margem interessante

A capitalização foi discutida pela El Tejar durante o ano passado, mas a decisão começou a se efetivar em fevereiro deste ano e o processo deve estar concluído até o fim de abril. Apesar de ter sido fundada na Argentina, a empresa é hoje liderada por dois fundos, o americano Capital International e o britânico Altima Partners, que juntos detêm cerca de 80% do capital da companhia. Em 2013, devido às instabilidades políticas, a El Tejar deixou a Argentina, e no ano seguinte, encerrou suas atividades no Uruguai. Assim, concentrou os negócios no Brasil e na Bolívia neste último, mantém 30 mil hectares.

No Brasil desde 2003, a El Tejar chegou a ser considerada uma das maiores produtoras de soja do país devido a uma agressiva estratégia de terceirização, que levou a companhia a contar com 260 mil hectares de plantio em 2010.

Mas a restrição da compra de terras por estrangeiros imposta pelo governo naquele ano fez a companhia redirecionar o foco e priorizar menos o tamanho, e mais a eficiência da operação. “Apesar da queda das commodities, há um interesse global de investimento no setor agrícola, e o Brasil estaria em melhor condição de captar esse dinheiro, não fosse essa lei [contrária a estrangeiros]”, afirma Turbán.

A companhia prevê fechar esta safra 2015/16 com um faturamento de US$ 122 milhões no Brasil, aquém dos US$ 130 milhões do ciclo anterior. “Temos menos receita porque o valor do produto em dólares caiu, mas tivemos uma correção de custos importante, que nos permite manter a margem em um nível interessante”, explica.

Atualmente, a El Tejar cultiva 76,84 mil hectares no Brasil, dos quais 45,1 mil próprios e 31,74 mil em parceria. Ao todo, são sete unidades produtivas, distribuídas entre as cidades de Primavera do Leste, Santo Antônio do Leste, Itiquira, Diamantino e Ipiranga do Norte, todas em Mato Grosso. A maior parcela da área (74,18 mil hectares) é dedicada à soja nesta safra 2015/16, outros 46,36 mil hectares ao milho e pouco mais de 5 mil ao algodão. Há dois anos, a empresa iniciou também um projeto de integração lavoura pecuária, que deve reunir 5 mil cabeças de gado este ano.

A partir de um investimento de US$ 100 milhões nos últimos três anos, a companhia registrou uma sensível melhora operacional, de acordo com Turbán.  A produtividade da soja da empresa, que em 2012 era de 47 sacas por hectare, deve fechar esta temporada em 55 sacas mais de 80% da área já está colhida em Mato Grosso.

“Estávamos 5% abaixo da média do Estado, agora estamos 5% acima”, diz. No caso do milho, a evolução foi de 90 sacas para 113 sacas na safrinha passada. O plantio da nova safrinha do grão está em fase final.

A companhia está fechando o orçamento para a próxima safra 2016/17, mas Turbán adianta que o ritmo de investimentos será menor que o dos últimos anos. Com os aportes mais pesados já feitos, seja em maquinários ou estruturação de armazéns, a El Tejar se concentra agora na melhoria do solo.

“Podemos até comprar alguma plantadeira a mais, mas é preciso cautela, dada a situação bastante flutuante que temos no setor”, avalia. Quanto ao plantio, a expectativa da empresa é que a distribuição da área plantada entre as culturas seja muito semelhante à de 2015/16.

Original em: Valor